patchwork

a manta

manta

Comecei-a em Agosto. A partir de então, foram raras as noites em que não trabalhei nela. Era um pedido especial, de uma mãe para um filho, algo que ficasse para a vida. E eu quis dar o meu melhor, algo que dissesse o quanto o amor de mãe contém, que registasse o valor do tempo que passa por nós, que mostrasse que com quase nada somos capazes de fazer tudo. Um retalho, junto a outro e a outro e a outro é capaz de se transformar em algo Maior. 
 

manta

Comecei por olhar para o relógio. Cada bloco levava 45 minutos a fazer. Escolher, coser, passar a ferro, cortar, escolher, coser, passar a ferro, cortar, escolher, coser, passar a ferro, cortar… Depois deixei de contar. Se percorresse as centenas de metros de linha que levou, chegaria longe.
manta

manta

manta

Terminei-a hoje e embora sinta uma certa liberdade após tanto tempo dedicado a um só objecto, o meu corpo pergunta porque não se vai sentar à máquina de costura, como de costume, até as costas começarem a doer. Vou sentir saudades.

 

manta para bebé

manta para bebé

manta para bebé + eu

sombra

Mais uma manta para bebé feita por mim. O bebé nasceu poucos dias depois de a acabar por isso poderá ouvir-se dizer daqui a uns anos que “esta manta tem tanto tempo quanto tu!”. 
É uma honra ser escolhida para fazer estes presentes tão especiais. 
E agora apercebo-me que, depois de tantos empregos mal empregados que me faziam tão infeliz, tudo o que eu precisava era de uma oportunidade para fazer algo com amor. Não será isso que todos procuramos?

em casa

em casa

em casa

Em casa, os dois a precisar de colo. O mais velho de molho, com febre; a mais nova com tudo a que tem direito. A mãe, a precisar de dormir e de mais quatro braços.

a casa

patch solidário 2011

Faltam 3 meses para o novo membro da família entrar pela porta de casa e ela ainda não está pronta. Posso dizer que está quase pronta. Têm sido dias e noites a organizar papéis, livros, revistas, tecidos, rendas, lãs, retalhos e mais retalhos e mais retalhos… São estas limpezas domésticas que me fazem perceber o que é realmente importante para mim: aquilo que fica em casa é, definitivamente, o que me faz feliz e o que sai de casa já foi importante, já cumpriu o seu propósito e agora pode dar espaço ao novo. Nada é para sempre e o que vem é sempre mais importante do que o que já foi. Assim sendo, os retalhos, as lãs, as rendas, os tecidos, as revistas, os livros e alguns papéis ficam comigo porque sem eles a minha vida não era a mesma.
A casa, aquela do meu sonho de criança, foi o tema escolhido para o patch solidário deste ano.

ganga em (re)construção

ganga em construção

ganga em construção

ganga em construção

A casa está em obras. Tudo o que consegui resgatar foram os pedaços de ganga que tenho vindo a guardar para um dia fazer uma manta. E ainda bem. Estou a adorar a forma como os diferentes azuis se conjugam entre si, surpreendendo-me e aprendendo com cada retalho. O medo de entrar pela estrada errada, de não deixar fluir o trabalho, de dar demasiados ouvidos às dúvidas de quem faz um trabalho que nunca mais se irá repetir – esse ainda espreita. E vou dizendo a mim mesma: que bom seria poder fazer isto durante toda a minha vida e chegar aos dias em que a segurança vence a insegurança e os trabalhos reflectem a sabedoria da idade.

por aqui

das camisas do pai

a casa cheira a bolo

Por aqui cheira a bolo e as camisas do pai ganham nova forma.
Está a chegar aquela altura do ano em que já deveria ter programado as férias para a família. Alguém tem uma sugestão?

dois anos depois

dois anos depois

dois anos depois

Obrigada a todos pela resposta calorosa ao último post. Há muito que se ponderava sobre o assunto cá em casa – hoje sei que não era preciso ponderar tanto, que a vida deve ser vivida vivendo-a, mas acho que sem esse tempo de maturação eu não estaria onde estou agora.
As primeiras semanas foram mais difíceis, não consegui encontrar forças em mim para continuar o meu ritmo de trabalho. Agora, quase a entrar no segundo trimestre, sinto o sangue a voltar a casa.
E agora, que tenho um ninho a construir, decidi retomar os trabalhos abandonados. Esta peça, que sem me aperceber ficou dois anos à espera, levou-me uma hora a acabar. Encontrou lugar no chão da sala, junto de muitos livros e jogos, por onde mãos e mentes curiosas costumam passar.

clientes satisfeitos

manta

manta

Miguel e a manta

A manta já está feita e já foi entregue. Acompanhará o M. por muitos anos e quem sabe, talvez fique para os seus descendentes, um dia. Foi feita devagar, com muito carinho, a pensar nisso mesmo – o oposto daquilo que é feito em massa, à pressa, sem cuidado nos detalhes, que muitas vezes perde a qualidade nos primeiros tempos.
A última foto foi tirada já no seu novo ambiente, tal como estas que vou coleccionando. Aproveito para convidar todos aqueles que tanto me têm apoiado a enviar (virginia ponto otten arroba gmail ponto com) fotografias dos meus trabalhos nas suas novas casas (ou fora delas).
Scroll to Top