Portugal

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

Há quem não perceba esta mania do português parar em frente ao mar e deixar-se ali ficar, a olhar. Eu acho que olhar o mar lava a alma, limpa a mente, dá saúde. E eu vou obrigar-me a saudá-lo todos os dias, já que o tenho aqui tão perto. 
Em Janeiro já não são só as gaivotas que se ouvem, as árvores enchem-se de pássaros que nos acordam para um novo dia. Se eles soubessem o bem que me fazem!

por terras de Miguel Torga

São Martinho de Anta

São Martinho de Anta

São Martinho de Anta

São Martinho de Anta

Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta

São Martinho de Anta

Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta

Espaço Miguel Torga, São Martinho de Anta

Fomos visitar a avó. E agora que a avó mora tão longe, podemos dizer que vamos à terra, embora não seja a nossa. Eu, que nasci em Lisboa e cresci com o Palácio da Pena a olhar para mim, ainda não sinto um lugar como sendo meu. Pergunto-me se algum dia o encontrarei ou se faz parte de mim não pertencer. Tenho amor à terra que é terra, ao ar que é puro, à água fria da nascente e é isso que chama por mim. E cada vez chama mais alto, há urgência em lá chegar, dois seres destinados, não posso morrer sem o encontrar.
Esta terra, que tão bem acolheu a minha mãe, é terra de gente grande. Há espaço para isso. É só querer crescer. 
Ali nasceu e viveu Miguel Torga e juro que quando subo a Senhora da Azinheira, e nada mais ouço que o silêncio que me enche a alma, quase que o vejo caminhar. Se eu ali morasse enchia-me de ar. Eu sei que aqui também o há, mas é diferente. Aquele ar.
Não podíamos deixar de passar pela casa que a avó pintou, sobre a qual já aqui falei, até porque ela está no meio da praça central, tendo conquistado um merecido estatuto de atracção turística. Logo ao lado passamos pela pequena casa onde Miguel Torga viveu, tão bonita e singela que me diz que é assim leve para não deixar marca no chão. Mais uns passos e chegamos ao Espaço Miguel Torga, centro cultural de autoria de Eduardo Souto Moura, espaço amplo e luminoso, do tamanho da alma do escritor, pronto para a vida cultural do país. Saí dali com uma vontade imensa de agarrar os meus livros de Miguel Torga e de caminhar o chão da nossa Península.


” Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes e de montanhas, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal. Uma província ainda mais pobre do que as outras, que apenas produz uns magros e tristes versos…”

Diário VIII

por terras de Miguel Torga

casa da avó

casa da avó

casa da avó

casa da avó

casa da avó

De seguida fomos visitar a avó, que mora lá longe onde Miguel Torga nasceu, no Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes. Terra bonita, acolhedora, que sabe o que é viver em comunidade, onde nada se desperdiça e tudo se partilha porque tratar de um é tratar de todos. Ali há espaço, há tempo, há ar puro e água fresca da fonte, a mais deliciosa que alguma vez bebi. Há uma vila inteira que nos quer receber e contar o quanto gosta da minha mãe, felizes pela vida nova que ela para lá levou, pela sua energia e criatividade, pelo seu sorriso e amizade.
E eu trocava já Cascais por Trás-os-Montes, se pudesse.

Algarve rural

férias

férias

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Fui, um pouco receosa do que poderia encontrar. Do Algarve descaracterizado que se vende ao desbarato em nome do turismo vi pouco ou nada, felizmente. E nem foi preciso procurar muito. É ficar uns quilómetros afastado da costa que ele ainda lá está, o Algarve português. Rural, quente, seco, silencioso. 
Uma casa encontrada à última hora (como já vem sendo tradição) era afinal uma quintinha simples e simpática, onde se fizeram novos amigos, se tomaram muitos banhos de piscina e se alimentaram animais que um dia servirão de alimento a alguém. 
E eu, que andara a conversar comigo mesma e tinha chegado à conclusão de que o que precisava era de um estágio numa quinta, fui levada até uma, sem ter a menor consciência disso. E a semana passou e a vontade de regressar a casa não aconteceu.

férias

férias

férias

férias

férias

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Uns dias longe da vida como a conhecemos, num lugar onde nos sentimos bem-vindos e acarinhados, e de onde nunca regressamos de mãos vazias. 
Dias longos, relógio vagaroso, a televisão que não foi ligada e ninguém que sentisse a sua falta. Ir buscar água à fonte e o pão ao forno depressa superou qualquer jogo de consola.
Tempo, tempo, tempo. Vinte e quatro horas bem gordinhas todos os dias. 
Até breve, Trás-os-Montes!

Alto Douro Vinhateiro

Alto Douro Vinhateiro

Alto Douro Vinhateiro

Alto Douro Vinhateiro

Alto Douro Vinhateiro

Alto Douro VinhateiroTrás-os-Montes recebeu-nos de braços abertos. As portas abriram-se e fomos levados a conhecer tesouros mais ou menos escondidos, vinhas a perder de vista, gerações de trabalho e de sucesso numa terra riquíssima e orgulhosa de si própria. E no meio de séculos de história encontrei também um Trás-os-Montes actual, capaz de se sustentar, com muito para oferecer. Lá há espaço para muitos mais, com preços apelativos e uma qualidade de vida que não se vê aqui pelas grandes cidades. Uma terra tão fértil, tão bonita, tão pronta para mais.

Ficámos em São Martinho de Anta, ao lado da casa onde Miguel Torga nasceu e viveu. Sabrosa, Provesende, Celeirós do Douro e Pinhão são algumas das terras por onde andámos e onde espero voltar em breve.
De regresso a casa, umas garrafas de vinho do Porto, legumes da terra, broa de centeio e muitas saudades deste Portugal vivo, com garra, cheio de amor para dar.
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