vida de voluntária : volunteer´s life

ao fim da espera

ao fim da espera

ao fim da espera

ao fim da espera

Quando esperamos por nós próprios, sabendo que lá chegaremos, mais cedo ou mais tarde, como quem confia num ciclo que já conhece.
Há muito que tinha prometido um blogue ao Dress a Girl. Aqui está ele, muito simples e prático, onde o que se pretende é arquivar a história do projecto no nosso país, da qual tenho muito gosto em fazer parte.
Agora posso voltar a fazer bonecos, que tanto me tem feito falta. E observar a natureza no seu melhor. E contar-vos um pouco mais sobre a viagem a Moçambique, que ficou por contar.
Até já!

Moçambique – primeiras palavras

Moçambique 01.2017

Moçambique 01.2017

E agora? Como é que se volta à realidade?
De regresso a Lisboa, tudo me parece mais limpo que o costume. Entro no carro e um cheiro forte enche o ar – o ambientador, que pela primeira vez me parece (muito) agradável.
A minha filha, tão limpinha. O chão da casa, foi sempre assim tão branco?
De volta à normalidade. De volta ao duche perfeito, à cama perfeita, à cozinha perfeita.
E no entanto, é naquelas crianças que ainda penso, é no horário deles que ainda vivo, é dos seus abraços que mais falta sinto.
Moçambique pôs-me à prova e eu respondi. Ri, chorei, rezei, cheguei a pôr a minha vida nas mãos do universo. E aqui estou, sã e salva, quase esquecida dos perigos por que passei, com a certeza de que lá voltarei. 
África não é para os fracos. 

a caminho

a caminho de Moçambique
Lembro-me de estar deitada na cama, a olhar pela janela, e de me ver junto de muitas crianças em África. Eu própria era ainda criança. Essa imagem nunca mais me largou e com o tempo passei a chamá-la de sonho. 
Hoje sei que os poucos sonhos que tenho são na verdade objectivos a cumprir. São chamamentos, talvez bem mais velhos que eu, que me guiam e me levam até onde devo chegar. Por isso dói quando me afasto do caminho, sinal que a alma sabe o que faz e está atenta, verdadeiro GPS interior. Já quando me aproximo do destino, a sensação é muito diferente. Sinto que a peça que me faltava está tão perto que logo me sinto mais cheia, mais alta, mais completa. Deve ser um jogo, isto da vida – alimentar este Ser que somos até atingir o nosso potencial máximo (afinal não muito diferente de um jogo de consola).
O primeiro grande objectivo a cumprir foi o de ser mãe. Done. Serei sempre mãe, com muita honra por ter sido escolhida para criar dois seres tão bonitos e especiais.
O segundo é fazer algo pelo mundo. Caramba, o que me havia de calhar. Levar de onde há a mais para onde há a menos, é o que sinto que estou a fazer nestes últimos tempos. De há uns anos para cá que vejo a minha casa fazer de armazém de roupa, que me chega de quem não a quer mais para ser distribuída por quem dela precisa. Vejo-me a mim e às amigas que muito me ajudam nesta pequena loucura sempre de um lado para o outro, recebendo aqui, distribuindo ali, muitas vezes lavando tudo antes, fazendo triagem após triagem, carregando quilos de um lado para o outro porque simplesmente não ficamos indiferentes à injustiça social, porque não nos conformamos com o desperdício, porque somos teimosas, talvez, e acreditamos que é em casa, com as nossas mãos, que se começa a mudar o mundo. 
No seguimento desse meu destino a cumprir, aparece o Dress a Girl Around the World mesmo à minha porta. Desafio aceite. Procurar empresas e particulares que possam oferecer matéria prima, convocar mãos talentosas e generosas que nos ajudem a confeccionar vestidos para as meninas mais desfavorecidas em lugares do mundo onde a pobreza é mais que miséria é o projecto que já existia em mim mas que ainda não tinha ganho forma porque sozinha não saberia como começar. Nunca imaginei que este projecto, outrora um sonho, fosse tão bem aceite e que crescesse tanto em tão pouco tempo, ganhando a forma que hoje tem, graças a todas (e todos) que se juntam a ele. Em meu nome e em nome do Dress a Girl, obrigada pela vossa confiança. Porque se no princípio ainda assistíamos a dúvidas sobre se valeria a pena o trabalho, se os vestidos chegariam de facto às crianças – hoje notamos que conseguimos ganhar a confiança que sabemos merecer porque nos esforçamos muito para que o fruto do trabalho de cada um chegue exactamente onde queremos que chegue. 
E é assim que me vejo aqui. Dentro de três dias parto de mochila às costas para Moçambique na companhia da Vanessa Campos, a embaixadora do Dress a Girl em Portugal e da ONG SIM com o objectivo de distribuir todos os vestidos que conseguirmos levar. A nossa missão será a de dar em mãos o fruto do vosso empenho. A cada menina, um vestido, feito por uma voluntária. Em troca, queremos trazer o nosso testemunho sobre o que lá vimos e sentimos. E se possível, fotografias dos vossos vestidos, já adoptados e muito amados, pelas meninas que os irão receber.
Até já!

Dress a Girl Around the World – Portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

dress a girl around the world portugal

Temos corrido muito nos bastidores do Dress a Girl Around the World. Mas fazêmo-lo com tanto amor e dedicação que quase não cansa! Com poucos meses de vida em Portugal, este projecto já conseguiu tanto que o facto de estar envolvida de corpo e alma me deixa imensamente feliz e orgulhosa. Orgulhosa de todas as pessoas que têm aparecido com matéria prima para dar, com o seu tempo e habilidade, com a sua vontade de participar. Orgulhosa também de organizações como a The Big Hand e a From Kibera With Love que trabalham arduamente para mudar a vida de tantas crianças e que entegaram pessoalmente vestidos feitos por nós a meninas em Moçambique e no Quénia, respectivamente.
Sentimos que estamos no caminho certo e nada nos fará parar. 
É incrível o poder que uma só pessoa tem em mãos – o que dizer de um grupo inteiro ao qual se juntam mais e mais mãos prontas a costurar? 

Dress a Girl Around the World – Portugal

Dress a Girl Around the World - Portugal

foto por The Craft Cmpany
Querido Diário,
tenho andado ocupada com a vida. Cheguei aos 40 com a sensação de que a partir de agora vou concretizar os meus sonhos mais ousados, aqueles que me perseguem desde pequena, tu deves lembrar-te deles. 
Andava eu a preparar-me para começar um projecto a solo, algo que não me saía da cabeça, que me mantinha acordada à noite por não saber bem como começar. Eu sabia que queria seguir o exemplo de Lillian Webber. Costurar um vestido por dia parecia-me algo perfeitamente possível e, sabendo fazê-lo, começava a não suportar a ideia de não o estar a fazer já. E como vem já sendo costume, a vida, ao apanhar-me na estação certa fez o comboio parar. 
De um dia para o outro, a The Craft Company anuncia que procura voluntárias para costurar para a Dress a Girl Around the World – Portugal. Nesse encontro conheço a Vanessa, embaixadora do projecto em Portugal e fico a saber que chegou há poucas semanas ao nosso país, trazendo este projecto consigo, recém nascido por cá.
O que quero dizer, Querido Diário, é que a vida me ouviu. Ou eu ouvi a vida. Talvez a vida só nos ouça quando a ouvimos a ela. E a vida ouviu a Vanessa também e disse-lhe para vir viver para Cascais, no prédio ao lado do meu. E desde então temos trabalhado neste projecto com muita paixão. E temos contado com a ajuda de muita gente boa que acredita que um vestido é importante, sim e que juntas fazemos a diferença, sim. 
Prometo dar notícias. Não serão tantas quanto as centenas de vestidos que nos passam pelas mãos, mas prometo dar voz a este movimento. Voz e mãos!

quando as mãos se juntam por uma causa

from Portugal with Love

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from Portugal with Lovefrom Portugal with Love

from Portugal with Love

from Portugal with Love

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Há pouco mais de um mês pedi para me ajudarem a ajudar. É difícil acreditar que passou apenas um mês. Tanto eu, como a casa, como a minha família passámos a viver em torno de novas prioridades. Novas para eles, muito antigas para mim. Em tão pouco tempo, tanto aconteceu.
Na verdade, não gosto do termo “ajudar”. Quando os meus avós ficaram comigo para me criar, não o fizeram para ajudar. Quando o meu marido larga tudo para me socorrer no que seja que for que está a acontecer, ele não o faz para ajudar. Quando eu estou a sofrer e telefono a um familiar mais próximo e essa pessoa aparece em minha casa em poucos minutos, ela não o faz para ajudar. Quando o meu filho me vem dar um abraço, ele não o faz para me ajudar a sentir melhor, ele fá-lo para se sentir melhor, para se cumprir, para estar de acordo com aquilo que vai dentro dele.
E é isso que eu sinto dentro de mim, que tenho que cumprir o que cá vai dentro. 
E enquanto houver crianças no mundo que não têm os mesmos direitos e oportunidades que os meus filhos, enquanto houver no mundo idosos que moram em miséria e solidão, enquanto houver no mundo mulheres sem liberdade e sem perspectiva de futuro eu não poderei alcançar a paz que tanto almejo. 
Nestes 9 Kgs de boa vontade foram:
  • 6 casaquinhos de lã para bebé feitos pela Sónia Valente (Trinca Tricot)
  • 12 bonecos de pano, 12 porta-moedas/telemóveis, 2 malas, 1 pequeno taleigo, 1 capa para caderno, 1 poncho, 1 gorro, 1 camisola de lã feitos pela Teresa Bray (Loja do Lagarto)
  • 30 gorros para criança feitos pela Alexandra Sarzedas (a Alexandra contribui também com muitas mantas polares que não aparecem nas fotos)
  • 5 gorros em lã para criança, 3 bonecos de pano e 1 manta para criança feitos pela Ana Paula Barata (B’arte)
  • 3 gorros em lã para criança, 1 par de luvas em lã, 2 pares de botinhas em lã para bebé feitos pela Sofia Amaral (Entre a Serra e o Mar)
  • 2 mantas de retalhos para criança (muito difíceis de fotografar) por mim própria
Esta nossa pequena mas calorosa contribuição já está a caminho do seu destino, Refugees Aid BCN, que a encaminhará para a Grécia. A quem queria colaborar mas não chegou a tempo, estes meus (queridos!) amigos em Barcelona precisam de ajuda para fazer chegar todos os donativos ao seu destino. Podem ler aqui (e contribuir, se quiserem fazer parte deste movimento verdadeiramente Humano):
Todas nós queríamos ter feito mais, muito mais. Mas em tão pouco tempo, acho que o que conseguimos foi uma grande prova de que todos, juntos, fazemos a diferença. Bons exemplos disso não faltam.
Tenho a certeza de que o que fizemos chegará às mãos de muitas crianças. O resto, só podemos imaginar. 
Quanto a mim, não vou parar. Aliás, ainda não parei. Mas isso fica para a próxima. 🙂

por aqui

Por aqui, tenho passado os dias a fazer bonecos de pano e mantas de retalhos para dar a quem mais necessita. Pelo menos é assim que vejo o que estou a fazer. Fez-me muito feliz ter filhos, marido e tia a ajudar. São trabalhos simples, muito diferentes dos que costumo fazer, porque desta vez o meu objectivo é chegar ao maior número possível de pessoas. 
A casa está cheia de sacos de roupa que, juntamente com alguns membros da família consegui juntar. Só não estou a angariar mais porque não tenho onde guardar. Tenho passado muito (demasiado) tempo ao computador, a mandar e-mail para aqui e para ali, a tentar perceber o que devo fazer para ajudar de forma organizada. Constato que, neste momento, organização ainda não há muita. 
Neste momento parece-me que nenhuma instituição consiga dar respostas muito concretas às minhas perguntas: – onde entregar os bens materiais? – qual a sua capacidade logística? etc, etc. 
Apareceram grupos no facebook de ajuda aos refugiados, o que acho muito bem, mas quando lhes ponho as mesmas questões, a resposta é a mesma ou nenhuma. Continuo a aguardar, não sou muito paciente mas sou esperançosa. Percebo que a organização leve o seu tempo, mas sem ela a boa-vontade não chega a lado nenhum.
A verdade é que ainda não foi publicada a lista das instituições que irão receber refugiados em Portugal. Quem mo disse foi a própria Plataforma de Apoio aos Refugiados. O que a PAR tem estado a pedir a todos os que têm donativos em género é que os canalizem para essas instituições que, no entanto, ainda se estão a inscrever. Portanto, eu aguardo, cheia de vontade de fazer muito mais.
Dia 12, Dia Europeu de Acção pelos Refugiados, haverão por todo o país, acções de solidariedade para recolher donativos* em género como roupas, brinquedos, livros, artigos de higiene, roupa de cama, etc. Para saber mais, leiam aqui. Os donativos, diz a organizadora, serão entregues às associações e instituições que integram a Plataforma de Apoio aos Refugiados. A Plataforma de Apoio aos Refugiados, como já referi, disse-me que ainda não foi dado a conhecer a lista das instituições.

O que vos posso dizer com toda a certeza é que estou a fazer mantas de retalhos e bonecos de pano para dar a quem precisa. Seja quem for, de que cor for. Isto é algo que me está no sangue e não me deixa dormir à noite. Eu sei que um boneco não salva a vida a ninguém mas tenho a certeza que leva consigo uma mensagem de paz.
A quem tem mostrado vontade de ajudar, isto é o que vos posso dizer, por agora. As instituições (como a AMI, que tinha referido) ainda estão a trabalhar no sentido de poderem actuar organizadamente. 
A quem está, como eu, a fazer coisas à mão, o que digo é o mesmo. Vamos deixar passar mais uns dias e esperar que a tal lista seja publicada. Continuem que o vosso esforço é necessário e será bem vindo!
Quero ainda lembrar que os CTT criaram uma caixa solidária aquando das cheias na Madeira e que desde essa altura é possível enviar donativos em género para várias instituições de solidariedade sem pagar o envio.

*Actualização:

Os organizadores da marcha de dia 12 decidiram NÃO receber donativos nesse dia pois não terão capacidade logística para tal. Tal como disse acima, a lista das instituições e organizações que irão acolher refugiados está quase pronta e só nessa altura saberemos a quem entregar os donativos.

ajudem-me a ajudar

“Women rock the cradles with their right hand and the world with their left.”

ditado Sírio

Olá a todas! Hoje venho pedir que se juntem a mim. Que se juntem umas às outras e que todas façamos algo de útil, neste momento em que a humanidade grita por socorro. O Inverno vem aí. Há milhares de pessoas a viver em campos de refugiados. Vão ser precisos muitos agasalhos, roupas quentes – e brinquedos, que aqueçam corpo e alma. Eu tenho duas mãos, tempo e matéria prima. E vocês?
Peguem em lãs e agulhas, em tecidos e tesouras e façam agasalhos, mantas, bonecos de pano. Quem assim entender, poderá enviar o seu trabalho para mim, que entregarei à AMI
Aproveitem o fim de semana, juntem a família e façam algo juntos. Se não souberem o que fazer, há muitos projectos de costura, crochet e tricot pela internet. Aqui ficam alguns exemplos simples que encontrei (com instruções e moldes):
http://www.purlbee.com/2014/10/25/super-easy-crib-blanket-in-super-soft-merinos-newest-colors/
http://www.purlbee.com/2014/02/02/lauras-loop-the-boyfriend-hat/
http://www.purlbee.com/2011/11/27/mollys-sketchbook-felted-wool-wrist-warmers/
http://www.purlbee.com/2008/04/04/mollys-sketchbook-a-trip-around-the-wool-1/
http://www.purlbee.com/2011/02/13/whits-knits-crocheted-striped-hand-warmers/
http://whileshenaps.com/2014/12/free-pattern-josephine-doll.html
http://whileshenaps.com/2013/05/free-teddy-bear-sewing-pattern-pete-the-bear.html
http://www.purlbee.com/2015/07/06/learn-to-crochet-a-granny-square-blanket-kit/
http://www.purlbee.com/2014/11/07/crocheted-super-easy-baby-blanket/
http://www.purlbee.com/2009/04/08/mimi-kirchners-hand-sewn-felt-doll/
http://www.purlbee.com/2012/03/04/lauras-loop-flannel-receiving-blankets/
http://www.purlbee.com/2013/05/30/mollys-sketchbook-wool-and-liberty-teddy-bear/
http://www.purlbee.com/2013/02/17/mollys-sketchbook-soft-woolen-bunny/
http://www.purlbee.com/2013/11/24/corinnes-thread-winter-baby-bonnet/
http://www.purlbee.com/2014/03/06/corinnes-thread-cozy-sewn-cowl/
Se estiverem em Espanha, a minha amiga Rita está a juntar roupas quentes e agasalhos para enviar para Kos:
https://www.facebook.com/refugeesaidbarcelona/info
Se quiserem ajudar de outra forma: 
http://www.independent.co.uk/news/world/europe/5-practical-ways-you-can-help-refugees-trying-to-find-safety-in-europe-10482902.html
Se preferirem enviar matéria prima, como lãs e agulhas, tenho a certeza de que serão bem recebidas:
http://childrenofsyria.info/2015/03/12/knitting-our-lives/?utm_content=buffer1513f&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
Os meus pensamentos estão, inevitavelmente, com as mulheres e crianças:
http://www.rescue.org/arewelistening
Por agora, a ideia é actuar o mais rapidamente possível, ainda em Setembro. 
Se tiverem dúvidas, contactem-me, deixando aqui um comentário ou se preferirem, por e-mail. 
Peço que participem, que façam a vossa voz se ouvir e que deixem as vossas mãos cumprir a sua missão: ser útil!
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