wip

à minha espera

à minha espera

à minha espera

à minha espera

à minha espera

à minha espera

à minha espera

. uma poltrona despida para o novo quarto da senhorita Alecrim 

. o casaco do M. quando este tinha a idade da irmã a merecer uma reciclagem 
. o pobre do pato que ainda não sabe se vai ter asas ou braços
. roupa que quer ser manta
. tecido que quer ser roupa
. recortes, ideias, inspiração, estudos que gritam por um arquivo
E todos os dias esta sala me diz que sim, que posso conseguir, que é só querer e fazer. E eu acredito. E à noite, olho em redor e vejo tudo no mesmo lugar, à minha espera.

Enquanto tudo esperar por mim, tudo está bem.

work in progress

wip

Tenho uma missão em mãos que me ocupará grande parte dos dias (isto é, noites) nas próximas semanas. Se andar um pouco afastada daqui, não estranhem. Volto já.

wip

à espera

à espera

à espera

Este pequeno ser está à minha espera desde o Verão. Tinha decidido fazer um ganso mas logo percebi que não tinha nascido com cara de ganso. Pensei que parecia uma gaivota. E nada mais apropriado porque eu vivo rodeada de gaivotas e é ao som delas que de dia ou de noite vou trabalhando. É engraçado como já aprendi tanto sobre meteorologia com elas. 
Mas todas as crianças a quem mostrei este boneco em construção votaram num outro animal: o pato. E agora?
Apesar das dúvidas já gosto muito dele e vou dar-lhe toda a minha atenção assim que puder.

na mesa de trabalho

mesa de trabalho

A mesa é pequena e está cheia de trabalhos começados. Sento-me e pergunto-me porque não a arrumo antes de começar. Sorrio com tamanho disparate – se usasse os minutos que tenho livre para a arrumar não tinha tempo para trabalhar. As coisas vão encontrando o seu lugar, por si próprias, com o devido tempo. Se por um lado o caos me chateia e talvez trabalhasse melhor com uma mesa arrumada, por outro faz-me feliz. A ideia de ter muito para fazer – à minha espera, à minha espera, à minha espera – mantém-me acordada, inspirada, motivada. 
Neste momento tenho um gato, uma lebre, um babete, três pares de sapatos de bebé, um gorro e não sei que mais à espera de mim. 
Estou a ir, estou a ir.

domingo à tarde

domingo à tarde

Uns minutos de silêncio ao domingo à tarde. Queques saídos do forno, um novo casaco para a M. que cresce a olhos vistos e um pouco de Primavera apanhada à beira do caminho.

domingo à tarde

Simples. Perfeito.

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

rosetas da (bis)avó

Enquanto faço estas rosetas lembro:
À noite, as três sentadas no sofá, cada uma com a sua agulha na mão. A bisavó, à esquerda, fazia as rosetas; eu, no meio, fazia o quadrado à volta; à direita, a avó, juntava os vários quadrados. Eram feitas com restos de lã, porque nada era desperdiçado, e o fim a que estariam destinadas parecia não ser relevante: o importante era manter as mãos ocupadas e fazer.
Ao lado, sentado na poltrona, o avô via televisão. Não muito longe, o bisavô já estava deitado a ouvir o relato de futebol.
Ao fim do serão, a bisavó ia deitar-se, os avós abriam o sofá-cama e era ali que eu dormia, segura, quente e feliz, na sala da lareira onde todas as noites aquelas pessoas se juntavam e me aqueciam o coração. Hoje sei que é esse calor que ainda me alimenta e é a ele que eu recorro quando mais preciso.

por aqui

das camisas do pai

a casa cheira a bolo

Por aqui cheira a bolo e as camisas do pai ganham nova forma.
Está a chegar aquela altura do ano em que já deveria ter programado as férias para a família. Alguém tem uma sugestão?

devagar

devagar

devagar

Esta manta está a ser feita devagar.
Pedaço daqui, pedaço dali, um ao outro, outro com um, de um em um.
Um mais um mais um.
Cose, corta, cose, corta.
Sem pensar, que de mim só dou as mãos. Que a cabeça vai longe. A cada ponto dado, uma ideia, uma recordação, uma dúvida, uma certeza. E paro. E volto. E lá vai a cabeça a voar de novo enquanto as mãos marcam o passo.
Devagar. O tempo é do tempo, não é meu.
E esta manta há-de ser dela própria, cheia de mim.

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