vidas que ficaram escritas

de 26.12.1917

Tomar 26/12/917

Meu querido Paezinho
Estimo que este bilhete o va encontrar de perfeita saude. Eu estou melhorzinho e tambem estou melhorzinho do meu joelho.
Paezinho estou em casa da minha avozinha como sabe estou muito bem e ja pareço outro estou sempre haver quando o meu paezinho vem.
Meu paezinho a tia Diolinda e a tia Alzira (?) com migo ao Passo (?), buxas, bolos dos mais (?) no dia dos meus anos.
Pae hoje nao infardo mais. Receba mil beijos deste seu filho que mil saudades lhe dirije comprimentos

Ninguém imagina a emoção que estes velhos postais por aí encontrados provocam em mim. Este foi encontrado ontem numa feira de velharias daqui da vila, no meio de tantos outros. Ao ler alguns deles (ou a tentar ler porque a letra por mais linda que seja é muito pequena) apercebi-me de passagens da vida de uma família cujo pai esteve na 1ª guerra mundial, deixando mulher e filho em Portugal, que de postal em postal vão partilhando as suas saudades, as suas preocupações, o seu amor.
Devia ter trazido todos os postais que encontrei desta família. Para a semana vou lá outra vez.
Se, por feliz acaso, alguém tenha conhecido uma família Silva da zona de Tomar / Leiria com história idêntica, que me contacte – eu adorava devolver este tesouro a quem ele pertence.

4 comentários em “vidas que ficaram escritas”

  1. Tão lindo!

    Quando estava na faculdade, parava, sempre que podia, nos alfarrabistas que encontrava pelo caminho.

    E uma vez lá, não saia sem ver os postais! 🙂

    São memórias lindas, preciosas!

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