reciclar : recycle

da camisa do irmão

reciclar

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Reciclar roupa é das minhas coisas preferidas de fazer. Porque não gosto de deitar fora algo que ainda tem muito para dar, porque gosto de puxar pelas ideias, porque adoro transformar. Porque, verdade seja dita, a sociedade em que vivemos é obcecada por deitar fora e eu, mais uma vez, discordo. Sabe bem e é necessário mas muitas vezes o deitar fora é um acto mecânico de quem deixou de saber fazer e se habituou a chamar lixo às coisas. A mim custa-me deitar fora um frasco de vidro, quanto mais uma camisa em bom estado.
Olhando para ela aqui assim, acho que é capaz de ter ficado com ar de bata. Mas que importa? Que se encha de terra, tinta e plasticina, que é tudo o que uma mãe pode desejar à sua filha de quatro anos, artista de alma e coração. 
-” Os artistas podem sujar-se, mãe!” 
-” Podem e devem, filha.”

Monster High, por senhorita Alecrim

Monster High,
por senhorita Alecrim

(Não é desenho animado que passe cá por casa nem é nome que se consiga dizer em língua estrangeira aos quatro anos de idade mas a sua persistência foi tal que acabei por descobrir quem era afinal a musa de que tanto falava. Ela gosta é de monstros, de bruxas e de lobos maus. )

do irmão para a irmã

do irmão para a irmã

do irmão para a irmã

do irmão para a irmã

Nem todos os colarinhos podem ser transformados desta maneira – nada que uma fita de viés não resolva. Tão simples quanto isso.
Assim ficou o casaco que esperava por uma nova oportunidade, guardado há uma década (!) com a certeza de um dia vir a servir a uma segunda criança.
Eu digo não ao desperdício. Quem disse que roupa guardada não volta a ser usada?

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera

A lata dos lápis de cera está mais que cheia. Com 11 anos de uso diário não sei como é possível ainda estar tão cheia, mas está. Temos aqueles lápis bonitos, cujo cheiro me leva imediatamente ao armário do material da sala de aula da professora Maria e temos muitos pedaços partidos que teimamos em não perder. Para quê tanta quantidade?
Para além disso, o formato dos lápis de cera cá de casa, apesar de ser perfeito para mãos que já estão acostumadas a desenhar, parece-me pouco apropriado para as mãos mais pequenas e inexperientes. 
A ideia amadureceu e decidi transformar a cozinha num laboratório por uns minutos. Separei os lápis por cores, começando pela cor que a senhorita Alecrim menos usa, não fosse a experiência dar para o torto. Derreti-os em banho-maria, o que levou muito mais tempo do que esperava, talvez devido às diferentes qualidades de lápis. Não satisfeita com a quantidade que estava a conseguir obter, lembrei-me de lhes juntar umas velas (cuja caixa também está cheia há anos, por mais que use velas no inverno), retirando-lhes o pavio. Fiz uns canudos de papel (aqueles filtros para café que não uso serviram perfeitamente) e verti a cera quente lá para dentro. Nesta altura percebi que toda esta experiência não se consegue em minutos nem com crianças pequenas por perto mas que tanto o processo como o resultado são muito gratificantes. 

gola Mao

reciclar camisas

reciclar camisas

reciclar camisas

reciclar camisas

Esta é capaz de ser a minha camisa preferida. Tem 20 anos de uso (!) e continua como nova. Foi comprada na H&M, ainda esta não tinha chegado a Portugal, numa época em que nem esta nem outras marcas eram sinónimo de má qualidade.
Apesar de gostar de camisas de corte masculino, os colarinhos e eu deixaram de se entender. Acho-os desnecessários, pesam-me. 
Hoje peguei nela e em 10 minutos, mais coisa menos coisa, tinha uma gola Mao. O resultado é uma camisa muito mais bonita e, acima de tudo, que assenta melhor a minha personalidade, que é isso que procuro no meu guarda-roupa. 
aqui tinha feito o mesmo, e curiosamente, fi-lo por volta desta altura do ano, aquela em que a Primavera começa a querer acordar-me de um longo Inverno.
Há algo de espiritual numa gola Mao. 

nódoas difíceis

tratar nódoas difíceis

tratar nódoas difíceis

tratar nódoas difíceis

Caras nódoas,
deixem-me que vos diga o quanto admiro a vossa tenacidade. Tomara muita gente agarrar-se assim à vida. Gosto especialmente quando são mais fortes que eu, mais espertas que eu, mais persistentes que eu. São vocês, as quase caso perdido, que puxam pela minha criatividade e a deixam correr livremente, sem medo de estragar porque isso fizeram vocês o favor de tratar.
Já sabem, cá em casa são cuidadas com carinho –  mas quem ganha sou eu.

wip II

à espera

à espera

à espera

à espera

Mais alguém à minha espera. Foi uma pequena brincadeira de quem, no meio de tanto para fazer, teve que pôr em prática uma velha ideia. Usei uma caixa de fósforos, uns papeis bonitos, um pedaço de renda, uma meia de lã feltrada com o uso, um botão antigo e umas linhas de bordar. Fui enrolando, aconchegando, cosendo e nasceu um bebé provavelmente russo, do tempo dos czares. 
Era para ter sido a minha prenda de Natal para a senhorita Alecrim mas ainda não terminei a caixa. 
O que me vale é que o Natal são todos os dias.

reciclar roupa

reciclar roupa de criança

reciclar roupa de criança

reciclar roupa de criança

reciclar roupa de criança

reciclar roupa de criança

A irmã mais nova herda muita roupa do irmão mais velho, inevitavelmente. Ela por enquanto não se queixa e a mim dá-me muita satisfação agarrar numa peça e transformá-la em algo novo. O irmão recorda tempos que também para ele já lá vão e sorri ao ver a irmã vestida com roupas suas – que pequeno era! 
Nesta casa as coisas são feitas para durar. A história de um é a história do outro. E o planeta é respeitado.

retirar nódoas

tirar nódoas : removing stains

tirar nódoas : removing stains

tirar nódoas : removing stains

Nem sempre a nódoa cai no melhor pano. Por vezes cai numa simples t-shirt. Muitas vezes à primeira vez que é usada.

O M. não estava muito interessado em desenhar. Nem sempre está. Por isso usei o truque de sempre: fui eu desenhar. E não há nada melhor para inspirar alguém a fazer seja o que for do que mostrar a esse alguém o gosto que é fazer esse seja o que for. Eu acho que o que nos inspira não é o produto final – é a alegria do fazer.
Assim, comecei eu e em poucos segundos lá estava ele, entusiasmado. O plano não costuma falhar.
Bastaram umas canetas para tecido e um stencil que andava cá por casa para conseguirmos retirar a nódoa. Se a nódoa não sai, fazemos dela uma obra de arte. Não é assim com tudo na vida?
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