em casa : at home

terra casa filha mãe

terra

terra

Como é que se escreve a um amigo a quem não dizemos nada há muito? Assim, de coração nas mãos (como sempre faço), na esperança de recuperar aquilo que tínhamos e de continuar a caminhar perto um do outro.

Venho aqui dizer que não me fui embora e que pretendo ficar. Sou de ficar. Mas os dias, embora a meu ritmo, chamam-me para todo o lado e à noite, quando gosto de escrever, caio no sofá e as palavras adormecem junto comigo.

Há muito para fazer, para partilhar, para sentir e eu não sou de desistir! Até breve!

milagres na varanda

na varanda

na varanda

na varanda

na varanda

na varanda

na varanda

na varanda

A varanda não é grande, consigo dar quatro passos largos de uma parede à outra. Mas o que lá acontece, neste momento, é tanto que quem a vê fica de boca aberta. Principalmente aqueles que não estão habituados a ver crescer o seu alimento (ou qualquer alimento!) ficam verdadeiramente confusos. Como pode ser tão fácil? Então a comida cresce assim, num vaso, em poucos dias? Sim! É das coisas mais fáceis e básicas que o ser humano pode e deve fazer! E mesmo não tendo varanda, há sempre um parapeito de uma janela ou uns vasos dentro de casa onde a luz solar, água e vontade de melhorar a vida chegam. 
Na verdade, é tão fácil e básico que uma criança consegue tomar conta de grande parte do processo. Na verdade, é tão fácil e básico que torna o facto de existir fome no nosso país ainda mais intolerável. 
Temos comido alface todos os dias há quase dois meses. E só tenho seis pés de alface. Seis pés de alface tem chegado para alimentar uma família de quatro pessoas (que adoram alface!). Como? Vamos retirando uma ou duas folhas de cada uma e elas continuam a crescer, sempre bonitas! A natureza é assim!
Chamem-me ingénua mas eu acredito em milagres. Faço questão de acreditar neles e de os proporcionar. Por vezes dão trabalho mas os frutos são uma maravilha.

tricotar

na cama

na cama

na cama

Nunca fui adepta do pequeno almoço na cama, não lhe acho graça nenhuma. Mas regressar à cama, depois da maioria das tarefas cumpridas, com o tricot nas mãos e deixar-me ali ficar, tic tic tic, é domingo, tic tic tic, posso dar-me este presente, tic tic tic, é do melhor que há. 
Quase a acabar o primeiro par de meias para a senhorita Alecrim, mal posso esperar por começar as próximas (tamanho 41, filho de 13 anos pede meias feitas à mão, mãe feliz, tic tic tic!)

Janeiro

Janeiro

Janeiro

Janeiro

Janeiro

Janeiro

Ainda a tentar apanhar a carruagem de 2016, eu que gosto tanto da ideia de começar um novo ano, um novo ciclo, um novo eu, um novo nós… desta vez não pedi grandes desejos, são cada vez menos de ano para ano. Saúde, amor, alegria de viver é tudo do que me lembro quando chega a altura de comer as passas. Desta vez terminámos o ano com uma perda grande, o avô holandês que tanta falta vai fazer… connosco fica o seu sorriso sempre presente, a sua alegria, o seu sentido de humor e de amor. 
Assim, o ano começa lentamente, passo a passo, mas a verdade é que ainda não o sinto. 
Lá fora, nasceu a rosa que graças a estas manias de registar estes momentos, percebi que nasce sempre em Janeiro, por volta do mesmo dia. Nestes dias cinzentos, esta pequena e solitária rosa nasce com o seu aroma doce e diz-me que a vida nunca acaba, que mantenha a esperança, que continue. Pensar que a salvei do lixo, dada como morta, porque acreditei nela – e agora ela agradece-me assim, todos os anos.
É bom voltar aqui. É bom continuar. 

comigo

comigo
Vivo ao contrário. Transformo-me lentamente numa espécie de eremita da cidade. 
Cada vez com menos, o que não tenho, não gasto. O que sei fazer, faço. 
Quanto mais dou, mais leve me sinto e percebo que a vida, pelo menos a minha, é para ser vivida com frugalidade. 

(re)organizar(-me)

casa

casa

Um dia voltarei a ter mais tempo para este meu espaço que criei. Em breve, espero, organizarei o meu dia de forma a conseguir chegar a uma rotina de trabalho metódica, sã, frutífera. Já não sou a pessoa que começou este blogue há oito anos atrás por isso não desejo voltar aos meus dias de então (insistir no impossível é sempre luta perdida). Quero, sim, ser a pessoa que hoje sou, com a família que hoje tenho, arcando com todas as responsabilidades que escolhi para mim, com tempo e espaço para aprender e fazer mais e mais no meu campo de trabalho. 
Campo de trabalho é, descobri-o agora mesmo, uma expressão bonita e reflecte muito bem aquilo que encontrei naquilo que faço. Transformar matéria prima em algo novo, tridimensional, prático e útil, “humanizar” matéria prima é um campo tão vasto quanto a vida e dá-me espaço para ser quem sou, para alargar os meus horizontes, para crescer e me descobrir. É isso que gosto tanto no meu trabalho. É um campo infinito, para toda a vida, maravilhoso. Não deixa, que fique claro, de ser trabalho. Só eu sei (e quem faz o mesmo que eu também o sabe) o trabalho que isto dá, as horas que isto leva, os olhos que isto gasta (e as costas!). Mas a verdade é que quem corre por gosto não cansa e nunca, desde que deixei de trabalhar para outros e de ser só mais um número, nunca mais acordei de manhã a pensar na chatice que era ter que trabalhar. Em oito anos, o trabalho faz-me levantar da cama entusiasmada e cheia de vontade de pôr as mãos na massa. E eu sei a sorte que tenho.
Tenho umas encomendas por terminar que serão as últimas por algum tempo. O vosso apoio tem sido como que as asas que me ensinam a voar mas eu vou ter que abrandar. Vou tirar um tempo para me organizar (quem lê este blogue há algum tempo já está familiarizado com esta frase), a mim, à casa, à família e ao meu campo de trabalho. Quero pôr em prática umas ideias que tenho e para tal vou precisar de tempo, de espaço e de rotina de trabalho. 
Nessa rotina, quero incluir também a minha dedicação a este espaço virtual, que embora não seja a vida real eu gosto de ver como um grande espelho da realidade actual. Este espaço tem sido sempre um lugar honesto, onde a vida se mostra como eu a vejo e assim quero que continue. Enviar mensagens em garrafas e lançá-las ao mar, à sorte, é um acto de amor, de esperança, de confiança. E é assim que eu sou.

Março

Março

Março

Março

Março traz consigo o dia da mulher, que para mim sempre foi e será o dia de aniversário da minha avó. Este ano consegui, pela primeira vez, pendurar uma fotografia dela na sala mas acho que a vou retirar. No dia 8 senti que tinha que lhe criar um pequeno altar mas ainda não consigo olhar para ela assim, como uma pessoa a recordar. Ela está sempre comigo e assim permanece viva, em mim.
Março traz consigo a Primavera e a energia que a terra sente, sinto-a eu também. ” Em Março tanto durmo quanto faço” e é bem verdade. Tenho dormido mais e feito mais. A casa tem exigido atenção, depois de um longo Inverno. Os armários vão sendo revistados, aquilo que já não nos serve é dado a quem mais precisa, embora muita coisa ande apenas de armário em armário. É o arrumar do ninho. Fiz umas cortinas novas para a sala, 10 metros de vichy vermelho que me intimidavam um pouco pela sua forte presença mas ainda bem que tomei coragem porque a sala está cada vez mais a meu gosto. Agora tenho cortinas de revista.
Março traz consigo o organizar de trabalhos pendentes e os nossos botões são um deles. Temos novas ideias para pôr em prática que espero mostrar em breve.
Março traz consigo a renovação da assinatura da minha mais que preferida revista Taproot. A entrega é sempre super rápida por isso deve estar aí não tarda.
Março traz consigo força e esperança. Por mim, o ano podia começar agora.

quase

quase
quase

O Outono traz consigo um outro ritmo à vida, mais real, mais natural (quanto a mim). A família levanta-se mais cedo, prepara-se para o novo dia, cada um com a sua missão em mãos. A distância faz-nos sentir ainda mais o quanto somos uns dos outros e a casa, o porto de abrigo, está sempre quente e seca, à nossa espera, sempre fiel e segura.
Tenho três lebres à minha espera. A sala, mal me sento à máquina, transforma-se em atelier de costura. E eu, devagar, volto a sentir-me livre e completa, no silêncio, na criatividade, em mim.
Estou quase a apanhar o ritmo.
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