eu : I

19.01.2018

17.01

17.01

17.01

2018. Para uns, Janeiro não é mais que um mês; para mim, significa um novo começo, um novo capítulo, uma nova oportunidade.
Podia dizer que passei o ano de 2017 a correr de um lado para o outro mas seria injusta para quem corre realmente de um lado para o outro todo o ano. Os meus dias são simples, relativamente calmos e embora esteja sempre a trabalhar, trabalho naquilo que mais gosto e que me alimenta a alma.
Foi um ano de viagens, de muitos contactos com pessoas que não imaginava vir a conhecer, de muitas encomendas de bonecas, de muitos vestidos feitos e entregues. Foi, sem dúvida alguma, um dos melhores anos da minha vida.
Numa corrida contra o tempo, a certa altura decidi aceitar que não conseguia chegar a tudo a que me propunha. Este blog ficou em pausa embora muitas vezes escrevesse nele, em mente, de mim para mim. A verdade é que senti uma falta enorme deste diário, do contacto com quem o possa ainda ler, deste ritmo que nos traz à vida, mais pausada e atenta.
O sol voltou e com ele desperta a terra e despertamos nós, sempre prontos a continuar.
2018, aqui estou eu.

Moçambique – primeiras palavras

Moçambique 01.2017

Moçambique 01.2017

E agora? Como é que se volta à realidade?
De regresso a Lisboa, tudo me parece mais limpo que o costume. Entro no carro e um cheiro forte enche o ar – o ambientador, que pela primeira vez me parece (muito) agradável.
A minha filha, tão limpinha. O chão da casa, foi sempre assim tão branco?
De volta à normalidade. De volta ao duche perfeito, à cama perfeita, à cozinha perfeita.
E no entanto, é naquelas crianças que ainda penso, é no horário deles que ainda vivo, é dos seus abraços que mais falta sinto.
Moçambique pôs-me à prova e eu respondi. Ri, chorei, rezei, cheguei a pôr a minha vida nas mãos do universo. E aqui estou, sã e salva, quase esquecida dos perigos por que passei, com a certeza de que lá voltarei. 
África não é para os fracos. 

a vida, por aqui

being part of the craft company team

teaching how to make a simple dress

Amanda Soule in Lisbon

Segunda-feira. 
Pausa.
Sinto que passou um tornado por mim nas últimas semanas. Sei que fiz muito, corri de um lado para o outro, estive em todo o lado, esforcei-me ao máximo – e no entanto, só me lembro de duas ou três coisas.
Sei que tive a filha doente por mais de vinte dias em casa. Felizmente já está bem mas ficou em mim aquele alarme sempre pronto a disparar que a maioria das mães tão bem conhece.
Sei que por mim têm passado centenas de metros de tecido que nos vão fazendo chegar para transformarmos em vestidos para as meninas em África. Sei por isso que o mundo está cheio de boas pessoas e que é fácil fazermos algo em conjunto por um mundo melhor. Que dá trabalho, muito trabalho, mas que é possível. E que é muito gratificante. 
Sei que dei a primeira aula de costura em toda a minha vida e que correu bem! Ajudei a Cláudia e a Inês a fazer um vestido para o Dress a Girl  e que bom que foi vê-las tomar esse poder em mãos, o de saber fazer uma peça de roupa. 
Sei que o Amo-te Mil Milhões chamou por mim muitas vezes e que não lhe pude dar atenção, com muita pena minha. 
Sei que entrei para a equipa da The Craft Company, onde eu já me sentia em casa, e que lá estou aos fins de semana a tentar conhecer melhor todo aquele mundo de fios, tecidos, agulhas e tanto mais.
Sei que alcancei um dos meus maiores sonhos dos últimos dez anos, que julgava tão difícil de alcançar – conhecer a Amanda Soule e dar-lhe um grande abraço por tudo de bom que me tem dado ao longo desta década! Senti-me como uma criança a olhar para o seu ídolo, consciente do ridículo que é idolatrar alguém, mas felicíssima por a vida me ter dado aquela alegria! 
Graças à Rosa, que recebeu a Amanda na Retrosaria, à Sacha, que ficou na The Craft Company a segurar as pontas sem mim e à Marta que me fez companhia pude viver um momento que jamais esquecerei e que guardarei comigo para me lembrar de que nada, nada é impossível. De que se nos mantivermos no caminho que acreditamos ser o nosso, que tudo é possível. De que o esforço tem sempre a sua recompensa.
Olhando para trás, nestas últimas semanas, sinto que algo passou por mim a correr – talvez um alinhamento nos planetas, um antepassado a olhar por mim, um ciclo a fechar-se e outro a começar – quem sabe? E eu estive lá, presente, a correr mas a saborear o momento, grata por todos os seres humanos que estão, neste momento da minha vida, a meu lado. 
Hoje é segunda-feira, dia de pausa. E eu, sem pausa, não quero ser. É na pausa que me encontro. E que vivo tudo outra vez, mas devagar.
Uma boa semana a todas!

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

olhar o mar

Há quem não perceba esta mania do português parar em frente ao mar e deixar-se ali ficar, a olhar. Eu acho que olhar o mar lava a alma, limpa a mente, dá saúde. E eu vou obrigar-me a saudá-lo todos os dias, já que o tenho aqui tão perto. 
Em Janeiro já não são só as gaivotas que se ouvem, as árvores enchem-se de pássaros que nos acordam para um novo dia. Se eles soubessem o bem que me fazem!

(re)organizar(-me)

casa

casa

Um dia voltarei a ter mais tempo para este meu espaço que criei. Em breve, espero, organizarei o meu dia de forma a conseguir chegar a uma rotina de trabalho metódica, sã, frutífera. Já não sou a pessoa que começou este blogue há oito anos atrás por isso não desejo voltar aos meus dias de então (insistir no impossível é sempre luta perdida). Quero, sim, ser a pessoa que hoje sou, com a família que hoje tenho, arcando com todas as responsabilidades que escolhi para mim, com tempo e espaço para aprender e fazer mais e mais no meu campo de trabalho. 
Campo de trabalho é, descobri-o agora mesmo, uma expressão bonita e reflecte muito bem aquilo que encontrei naquilo que faço. Transformar matéria prima em algo novo, tridimensional, prático e útil, “humanizar” matéria prima é um campo tão vasto quanto a vida e dá-me espaço para ser quem sou, para alargar os meus horizontes, para crescer e me descobrir. É isso que gosto tanto no meu trabalho. É um campo infinito, para toda a vida, maravilhoso. Não deixa, que fique claro, de ser trabalho. Só eu sei (e quem faz o mesmo que eu também o sabe) o trabalho que isto dá, as horas que isto leva, os olhos que isto gasta (e as costas!). Mas a verdade é que quem corre por gosto não cansa e nunca, desde que deixei de trabalhar para outros e de ser só mais um número, nunca mais acordei de manhã a pensar na chatice que era ter que trabalhar. Em oito anos, o trabalho faz-me levantar da cama entusiasmada e cheia de vontade de pôr as mãos na massa. E eu sei a sorte que tenho.
Tenho umas encomendas por terminar que serão as últimas por algum tempo. O vosso apoio tem sido como que as asas que me ensinam a voar mas eu vou ter que abrandar. Vou tirar um tempo para me organizar (quem lê este blogue há algum tempo já está familiarizado com esta frase), a mim, à casa, à família e ao meu campo de trabalho. Quero pôr em prática umas ideias que tenho e para tal vou precisar de tempo, de espaço e de rotina de trabalho. 
Nessa rotina, quero incluir também a minha dedicação a este espaço virtual, que embora não seja a vida real eu gosto de ver como um grande espelho da realidade actual. Este espaço tem sido sempre um lugar honesto, onde a vida se mostra como eu a vejo e assim quero que continue. Enviar mensagens em garrafas e lançá-las ao mar, à sorte, é um acto de amor, de esperança, de confiança. E é assim que eu sou.

Março

Março

Março

Março

Março traz consigo o dia da mulher, que para mim sempre foi e será o dia de aniversário da minha avó. Este ano consegui, pela primeira vez, pendurar uma fotografia dela na sala mas acho que a vou retirar. No dia 8 senti que tinha que lhe criar um pequeno altar mas ainda não consigo olhar para ela assim, como uma pessoa a recordar. Ela está sempre comigo e assim permanece viva, em mim.
Março traz consigo a Primavera e a energia que a terra sente, sinto-a eu também. ” Em Março tanto durmo quanto faço” e é bem verdade. Tenho dormido mais e feito mais. A casa tem exigido atenção, depois de um longo Inverno. Os armários vão sendo revistados, aquilo que já não nos serve é dado a quem mais precisa, embora muita coisa ande apenas de armário em armário. É o arrumar do ninho. Fiz umas cortinas novas para a sala, 10 metros de vichy vermelho que me intimidavam um pouco pela sua forte presença mas ainda bem que tomei coragem porque a sala está cada vez mais a meu gosto. Agora tenho cortinas de revista.
Março traz consigo o organizar de trabalhos pendentes e os nossos botões são um deles. Temos novas ideias para pôr em prática que espero mostrar em breve.
Março traz consigo a renovação da assinatura da minha mais que preferida revista Taproot. A entrega é sempre super rápida por isso deve estar aí não tarda.
Março traz consigo força e esperança. Por mim, o ano podia começar agora.

entrevista na PinkNounou

brincar

brincar

brincar

brincar

A Ana, do blog PinkNounou convidou e eu respondi. Gosto da oportunidade que uma entrevista como esta nos dá de olhar para a nossa vida de fora para dentro. Se há dias em que vejo a vida passar a correr e desespero  tentando fazê-la abrandar para que todos se sintam donos do seu tempo e dele possam desfrutar, há outros, como aquele em que fui em busca de fotografias para ilustrar esta entrevista, em que me apercebo que feitas as contas nós, aqui em casa, estamos muito perto de ter a vida que eu idealizo. Só precisava de mais umas dez horas por dia (e para isso vou tentar começar a deitar cedo e cedo erguer).

o primeiro dia do resto das nossas vidas

primeiro dia

primeiro dia

Não é o Natal que me comove. É o celebrar o fim e o início de um novo ciclo, ano após ano como se da primeira vez se tratasse, acreditando sempre que tudo correrá bem, de coração seguro e sereno que me deixa arrepiada. Talvez não tenha sido sempre assim, muitos anos houve em que não sentia acesso directo a essa janela. Sabia que a tinha, sabia onde estava, mas sentia-a fechada. E sabê-la fechada doía. Passei muitos anos de janela fechada e sempre que olhava para dentro e me procurava, o que sentia era dor. Lembro-me de um sonho que tive há muitos anos, onde ao andar por uma casa grande e bonita, encontrei uma janela fechada. Ao olhar para ela, abriu-se, e através dela entraram centenas de borboletas coloridas para dentro de casa. Guardei essa imagem com esperança de um dia me sentir assim, um cheque-prenda do meu inconsciente com validade vitalícia. Talvez a melhor prenda de sempre.
Hoje, ainda a caminho de me sentir bem na minha pele e de saber dirigir a minha vida, quanto mais a dos meus, posso felizmente contar com essa paz interior que sei onde mora e sei que me espera sempre que dela precisar. E sinto-me grata, muito grata, por ter chegado até aqui.
Agora há que cultivar e praticar, dia após dia, para que essa fonte de paz e criatividade me transforme e através de mim, o meu mundo se transforme também. 
Desejo-vos um ano bom, do fundo do coração.
primeiro dia
Scroll to Top