vida simples : simple life

19.01.2018

17.01

17.01

17.01

2018. Para uns, Janeiro não é mais que um mês; para mim, significa um novo começo, um novo capítulo, uma nova oportunidade.
Podia dizer que passei o ano de 2017 a correr de um lado para o outro mas seria injusta para quem corre realmente de um lado para o outro todo o ano. Os meus dias são simples, relativamente calmos e embora esteja sempre a trabalhar, trabalho naquilo que mais gosto e que me alimenta a alma.
Foi um ano de viagens, de muitos contactos com pessoas que não imaginava vir a conhecer, de muitas encomendas de bonecas, de muitos vestidos feitos e entregues. Foi, sem dúvida alguma, um dos melhores anos da minha vida.
Numa corrida contra o tempo, a certa altura decidi aceitar que não conseguia chegar a tudo a que me propunha. Este blog ficou em pausa embora muitas vezes escrevesse nele, em mente, de mim para mim. A verdade é que senti uma falta enorme deste diário, do contacto com quem o possa ainda ler, deste ritmo que nos traz à vida, mais pausada e atenta.
O sol voltou e com ele desperta a terra e despertamos nós, sempre prontos a continuar.
2018, aqui estou eu.

algarve

Algarve

Algarve

Algarve

Algarve

Voltámos ao mesmo Algarve do ano passado. De todos os Algarves que já visitámos, parece que este nos conquistou. De tão simples que é, serviu-nos como uma luva. Ou melhor, como um calção de banho. Decidimos os três (a quarta está sempre pronta a passear, votando sempre a favor) que sim, que queríamos voltar àquele mesmo lugar, onde as casas não são nada de especial, onde o parque infantil cai de podre, bem como a mesa de matraquilhos, onde nunca se sabe como serão as pessoas com quem teremos que conviver. Mas a piscina está lá, os animais da quinta estão lá, o parque infantil está lá e a mesa de matraquilhos está lá. E a verdade é que naquele espaço de terra se forma sempre uma pequena aldeia que se junta de manhã, à tarde e à noite, mais as crianças que os adultos, mais os homens que as mulheres. Ali faço o almoço à janela, os miúdos ouvem-se lá fora, estão bem. A bicharada lá mais longe espera as cascas e os restos de pão que lhe levamos com tanto gosto. Um ritual que nasce naturalmente, organicamente, inteligentemente. 
E dou por mim a dizer “quero tanto viver assim”. 

Algarve rural

férias

férias

fériasférias

Fui, um pouco receosa do que poderia encontrar. Do Algarve descaracterizado que se vende ao desbarato em nome do turismo vi pouco ou nada, felizmente. E nem foi preciso procurar muito. É ficar uns quilómetros afastado da costa que ele ainda lá está, o Algarve português. Rural, quente, seco, silencioso. 
Uma casa encontrada à última hora (como já vem sendo tradição) era afinal uma quintinha simples e simpática, onde se fizeram novos amigos, se tomaram muitos banhos de piscina e se alimentaram animais que um dia servirão de alimento a alguém. 
E eu, que andara a conversar comigo mesma e tinha chegado à conclusão de que o que precisava era de um estágio numa quinta, fui levada até uma, sem ter a menor consciência disso. E a semana passou e a vontade de regressar a casa não aconteceu.

simples?

Fiquei a pensar no último post e nos vossos comentários. 
É verdade que me sinto muito cansada mas não sei se será justo atribuir a culpa aos filhos. Como todos os filhos, eles dão trabalho, requerem atenção, precisam do tempo que era meu e já não é, não me deixam dormir uma noite inteira do princípio ao fim. Mas essa é a minha escolha, a minha opção de vida e todos os dias, no auge do cansaço, pergunto a mim mesma se é isto que realmente quero e a resposta é sempre sim.
Como disse a Naná na página dos comentários, esse ritmo calmo e sem stress é sobretudo um estado de espírito. E é aí que eu tento me focar. Como trazer esse ritmo para dentro de mim quando tenho filhos a querer comer e eu ainda sem saber o que fazer para o jantar, quando quero sair de casa rapidamente e percebo que tenho uma fralda para mudar, quando tenho um pré-adolescente e uma bebé a chamar por mim ao mesmo tempo em camas diferentes e eu cheia de sono e as encomendas à espera e a louça por lavar? Porque não posso nem quero sentir-me em paz apenas quando estou sozinha em casa a trabalhar. Quero andar com essa paz dentro de mim, sempre.
Portanto, que me perdoem os filhos, os meus e os vossos, mas um desabafo de mãe de vez em quando não faz mal, é natural e recomenda-se até. Agora, o que ando a tentar aprender é como trazer esse ritmo calmo para dentro de uma vida que, mesmo simplificada como a minha, não é simplesmente simples.

simples

Quinta do Pisão

Quinta do Pisão

Quinta do Pisão

Quinta do Pisão

Quinta do Pisão

Quinta do Pisão

Ainda à procura daquela ordem que tanta falta me faz aos dias, a tentar perceber o que tenho que mudar para me livrar desta sensação de estar sempre a correr e nunca conseguir entrar na carruagem, esta pressa dos dias e da vida de que não me lembro ver nos meus avós, chefes de família numerosa, pessoas activas e com objectivos de vida. Estes dias corridos de que até as nossas crianças se queixam, que nos levam a uma vida louca e mal vivida. Porque mesmo trabalhando em casa, sendo mãe a tempo inteiro e criativa quando as crias o permitem, a vida não é simples. A vida tem que se saber fazer simples. E dá trabalho, simplificar a vida. 
E é preciso ser mãe/pai de mais de um filho para saber do que estou a falar. A felicidade é muito maior, o calor humano é ainda mais recompensador, a honra de ser a escolhida para os ver crescer é avassaladora mas o cansaço, o cansaço – o cansaço exige que eu aprenda de uma vez por todas a simplificar tudo: a minha cabeça, a casa, os dias, a vida.
Tenho a certeza que estou no caminho certo.
Hoje descobri um campo mesmo aqui ao lado. Cheirou-me a trinta anos atrás. Hei-de lá voltar sozinha, em silêncio.

meia-hora de ouro

favas

favas

favas

favas

Se há coisa que gosto é preparar os alimentos com tempo, ao longo do dia, em boa companhia. Na casa onde cresci a minha bisavó sentava-se numa cadeira, de alguidar ao colo e ia descascando ou escolhendo o que seria mais tarde a refeição da família. Havia tempo. Os dias pareciam longos, generosos, a família não corria.
Nesta meia-hora bem passada com a senhorita Alecrim descascaram-se as favas para o jantar – as maiores, melhores e mais baratas favas que já comi. E biológicas!

taproot

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A Taproot demorou a chegar mas valeu a pena a espera. São trabalhos como este que me fazem querer fazer mais na vida e me lembram o caminho que quero seguir.
When I miss her, I go barefoot. I understand now that a bit of her remains with me. (…) It’s then that I’m able to see how far I’ve come from where she once stood.
Look deep to find your roots.
Look deeper to find the mud from where you grow.

dos dias

2 lençois a partir de 1 fronha

wip

O M. volta aos poucos à sua rotina, este será o último ano nesta escola. Uma escola familiar, com turmas tão pequenas e caras tão conhecidas… O que virá depois desta etapa? Tem andado tão bem-disposto, contente com os seus 9 anos que lhe permitem pequenas grandes liberdades como ir a casa do amigo sozinho ou passar umas noites fora de casa – pergunto-me como enfrentaremos a rotina escolar este ano, terei eu tempo de o acompanhar nos projectos e tpc’s, de brincar com ele, de lhe ler mais um capítulo à hora de deitar? Uma coisa eu sei: mesmo que o tempo venha a ser repartido por dois, o amor já o sinto a dobrar.

Tentando aproveitar os dias ao máximo, tenho estado à máquina de costura enquanto a luz natural o permite (fiz uns lençois para a alcofa da bebé a partir de uma fronha grande e estou quase a acabar mais uns babetes) e quando a sala escurece, sento-me à luz do candeeiro e pego no crochet. Enquanto as mãos trabalham, os pensamentos voam. Penso em tanta coisa.
Penso em como gostaria de viver a minha vida, no que quero manter e no que quero modificar. Penso na quantidade de  pessoas que me escrevem sobre quererem mudar a sua vida, principalmente no seu receio de querer mudar, mais do que o receio de mudar em si. Curiosamente, muitas mulheres sentem-se culpadas por se sentirem descontentes e desconfiam dos seus próprios sentimentos, como se alguém as chamasse de caprichosas por quererem ser mais felizes. E é verdade, quem ousa querer ser mais feliz é muitas vezes chamado de caprichoso. Nesta sociedade em que vivemos, a felicidade está à venda todos os dias, a preço acessível, em embalagem sedutora. Quem começa a sentir-se enganado com essa felicidade imediata, experimenta um desconforto estranho, que desconhecia até à data, porque até à data tudo parecia estar certo e agora começa a parecer errado. A vida, como estava organizada, começa a não fazer sentido, há peças que não encaixam mais. Mas aos olhos dos outros – e os olhos dos outros exercem muito poder nas nossas vidas – o querer mudar de caminho quando tudo está tão encaminhado, organizado, manipulado não passa de um capricho de quem já tem tudo.
O que lhes vou respondendo (em mente, enquanto trabalho e agora por aqui) é que mesmo que seja verdade que tenhamos muito em comparação com outros que nada têm, falta-nos também muito e é nossa obrigação ouvirmo-nos e procurarmos desde já mudar o que podemos mudar e trazer para casa aquilo que nos faz falta. Não é errado sentir que algo nos faz falta. É errado pensar que não devemos sentir que algo nos faz falta, seja qual for a razão. É raro o sentimento que está errado. Se daqui a uns tempos ele ainda lá está, essa é outra história. Mas se ele for verdadeiro, ele não se vai embora.
Talvez para surpresa de muitos, eu não aconselho ninguém a largar o emprego, a ir viver para o campo, a dedicar-se ao artesanato. Há pessoas que me escrevem com a ideia de que isto de fazer trabalhos manuais e vender pela internet é vida fácil. Primeiro custou-me a perceber o porquê desta ideia falsa mas depois percebi: os blogs podem dar uma imagem distorcida da realidade, mesmo que inconscientemente. As imagens bonitas enganam. Ninguém tem a vida perfeita, mesmo que seja melhor que a nossa em alguns aspectos. Eu não aconselho ninguém a mudar de vida de um dia para o outro (será possível?) – aconselho, sim, a mudar o dia. Só assim a mudança será sólida e duradoura. A vida são os dias. Façamos deles algo maior.
Reciclar uma fronha:
Mesmo sem máquina de costura, é fácil desmanchar uma fronha e transformá-la em algo diferente.
Não cortando o tecido, mas sim descosendo os pontos para que se  aproveite o máximo da peça  podemos fazer lençóis pequenos para bebé, fraldas de pano, individuais para a mesa ou guardanapos de pano. Depois de descosida a fronha, corta-se o tecido no tamanho desejado (no caso dos lençóis basta cortar em dois) e fazem-se umas bainhas, à máquina ou à mão.
Se for o primeiro projecto de costura é normal que não fique perfeito, mas será um prazer utilizar peças feitas por nós no dia-a-dia da família. Acreditem.
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