mantas de retalhos : quilts

devagar

devagar

devagar

Esta manta está a ser feita devagar.
Pedaço daqui, pedaço dali, um ao outro, outro com um, de um em um.
Um mais um mais um.
Cose, corta, cose, corta.
Sem pensar, que de mim só dou as mãos. Que a cabeça vai longe. A cada ponto dado, uma ideia, uma recordação, uma dúvida, uma certeza. E paro. E volto. E lá vai a cabeça a voar de novo enquanto as mãos marcam o passo.
Devagar. O tempo é do tempo, não é meu.
E esta manta há-de ser dela própria, cheia de mim.

manta



Acabei-a. Estou satisfeita com o resultado. Simples, rústica e bonita.
E caminhar no campo com uma manta aos ombros tem algo de mágico – perde-se a noção de lugar e tempo, o peso de ser quem somos – surge uma sensação de abrigo, de fronteira erguida entre o nosso mundo interior e o mundo exterior. E este parece-me um sentimento tão antigo quanto nós, o mesmo que procuramos desde que nascemos – o mesmo que acompanha a humanidade desde os seus primeiros tempos.

está quase

No fim-de-semana fomos à feira da estrela. Passámos a tarde na conversa com gente que adoro, como a Diane e a Rita, que talvez sem saber inspiram meio mundo com o seu trabalho.
Só hoje me apercebi que o natal é já para a semana.
Estou a duas lebres de entrar de férias.

do ano passado

Esta manta em patchwork, apesar de muito cobiçada, ainda não foi vendida. Modéstia à parte, posso dizer que está realmente bem executada, de um peso considerável devido à qualidade dos materiais utilizados, e é exemplar único em todo o planeta.
Por ser do ano passado, baixo-lhe o preço.

destes dias


Ainda a tentar perceber se sou organizada ou desorganizada, decidi que tinha que esvaziar uma gaveta. Uma das muitas gavetas cheias de potencial mas que acaba por ocupar muito espaço. São muitos os retalhos que se vão juntando por aqui – e eu, que não gosto nada de desperdício, tento aproveitar tudo, mesmo os mais pequenos e de forma estranha.
Assim, decidi esvaziar a gaveta. Aleatoriamente, fui cosendo um a um, sempre tentando não pensar no efeito final (e é muito difícil esvaziar a cabeça e fazer um trabalho destes não pensando no efeito final), depois cortei-os outra vez, cosi novamente, e por fim cortei tudo na medida que queria.
Foram três dias de trabalho intensivo que valeram bem a pena. Gosto do que surgiu à minha frente.
Mas a época natalícia está à porta e eu vou ter que deixar este novo trabalho descansar por uns tempos, provavelmente até o ano que vem.
Aproveito para informar que não vou poder aceitar muito mais encomendas. Peço que confirmem as mesmas o mais breve possível ou infelizmente não as vou poder aceitar.

lembrar

Sabe sempre bem receber lembranças destas. Bebés acabadinhos de chegar que sem saber dão vida ao meu trabalho. Obrigada.
E agora, a passagem do testemunho. Escolher 6 blogs de mulheres que penso merecer o prémio. E aqui vai:
Diane – porque é uma mulher diferente, uma mulher que me inspira, porque traz consigo muito daquilo que quero ser
Rita – porque tem a coragem de ser diferente e fá-lo bem
Rute – porque a sua sensibilidade é transparente e nos tempos que correm isso é um acto de coragem
Marionl – porque abre as portas da sua casa e da sua alma sem medos, mostrando que a vida só é bela quando verdadeira
Corry – porque se a tivesse conhecido durante os cinco anos que vivi na Holanda a minha vida lá teria sido muito mais feliz
Inês – porque a conheço bem e sei que tem muito para dar ao mundo, porque me entende e já estava na altura de receber um prémio por me aturar

de sonhos

Há mais ou menos nove meses atrás tive um sonho. Sonhei que certa menina estava grávida. Indaguei as fontes mais próximas, as quais me responderam que não era verdade de todo. Passados uns meses tive a confirmação. Estava mesmo.
A manta está pronta. O bebé que venha. Perfeitinho, cheiroso e com pulmões bem fortes para mostrar aos pais quem vai mandar lá em casa!

trabalho de casa

Hoje apetece-me deixar-vos um pequeno trabalho de casa para o fim-de-semana. Interessados?
Primeiro: lembrar a criança que foram
Segundo: saber se ainda existe
Terceiro: encontrá-la
Quarto: dedicar-lhe uma canção
Quinto: partilhar com alguém
Àquela menina de olhos grandes e tristes eu deixo esta canção. Quem me dera ter aquela voz.
Um bom fim-de-semana.
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